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sábado
Torre azul


É preciso construir uma torre
- uma torre azul para os suicidas.
Têm qualquer coisa de anjo esses suicidas voadores,
qualquer coisa de anjo que perdeu as asas.
É preciso construir-lhes um túnel
- um túnel sem fim e sem saída
e onde um trem viajasse eternamente
como uma nave em alto mar perdida.
É preciso construir uma torre...
É preciso construir um túnel...
É preciso morrer de puro,
puro amor!




Dica da animação:
Jorge Ferreira
#18:06 - - ->

terça-feira
Pequeno Esclarecimento







Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.


via: A Magia da Poesia


#12:03 - - ->



Dizes que a beleza não é nada? Imagina um hipopótamo com alma de anjo... Sim, ele poderá convencer os outros de sua angelitude - mas que trabalheira!

#11:24 - - ->

quinta-feira


Mais informações aqui.

Valeu pela dica, Aline :)


#13:08 - - ->

domingo
Pequenos Tormentos da Vida


Clique para assistir :)


Em uma escola, crianças da terceira série descobrem o universo do Poeta Mario Quintana.



Ano: 2006
Produção: Associação dos Amigos da Casa de Cultura Mario Quintana
Clube Silêncio

Direção: Gustavo Spolidoro

Assistente de direção: Vicente Moreno
Produção: Jaqueline Beltrame
Coordenação de produção: Cristiane Oliveira
Montagem: Vicente Moreno
Edição de som: Cristiano Scherer

Patrocínio: CRM - Cia Riograndense de Mineração, através da Lei Rouanet

PS: Se tiver problemas com o link do filme, tente aqui.
PS1: Veja outros curtas do Gustavo no Porta Curtas Petrobrás.

#13:14 - - ->

quarta-feira
Quintana por Paulo Autran








Código do player:






#22:34 - - ->

terça-feira


clique para ver o original

O mais triste de um passarinho engaiolado é que ele se sente bem.



Fonte: Fotografando Mario Quintana


#03:17 - - ->

quinta-feira
(radim)




Fonte: cd "
Quintanares & Cantares", de Mario Quintana e Henrique Mann.





#16:09 - - ->

sexta-feira
Poema da gare de Astapovo





O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo,
Contra uma parede nua...
Sentou-se... e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo sozinho àquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali à sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A Morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos os que realizam os velhos sonhos da infância!


#11:59 - - ->

quarta-feira
Dos Cadernos de Drácula



Quando a gente aperta o umbigo das crianças mortas, suas alminhas se espremem de riso lá no Céu.



#22:09 - - ->






Oratória



Um orador deveria limitar-se ao essencial. Especialmente nesses discursos de banquete — os quais teriam, todos eles, o texto seguinte: "Minhas senhoras e meus senhores. Tenho dito".

#22:02 - - ->

Da Arte de Fazer Visitas



Sempre que o convidavam a uma casa, perguntava-lhes se podia ir com outra pessoa. Combinado! Deixava então os outros conversarem à vontade, enquanto ele fingia que estava escutando.

#21:48 - - ->

terça-feira
Confissão

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!

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#09:31 - - ->

sexta-feira



A Terra

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As fronteiras foram riscadas no mapa,
a Terra não sabe disso:
são para ela tão inexistentes
como esses meridianos com que os velhos sábios a recortavam
como se fosse um melão.
É verdade que vem sentindo há muito uns pruridos,
uma leve comichão que às vezes se agrava:
ela não sabe que são os homens...
Ela não sabe que são os homens com as suas guerras
e outros meios de comunicação.



#12:07 - - ->

domingo
Ah! Essas Precauções...

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Para desespero de seus parentes, o velho rei Mitridates, como todo mundo sabe, conseguiu tornar-se imune a todos os venenos... até que um bom tijolaço na cabeça liquidou o assunto.


#22:47 - - ->



Amar: Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro.


#12:49 - - ->

Poema

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Oh ! aquele menininho que dizia
"Fessora, eu posso ir lá fora?"
mas apenas ficava um momento
bebendo o vento azul ...
Agora não preciso pedir licença
a ninguém.
Mesmo porque não existe paisagem
lá fora: somente cimento.
O vento não mais me fareja a face
como um cão amigo ...
Mais o azul irreversivel persiste em meus olhos.

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#12:48 - - ->

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As crianças, os poetas e talvez esses incompreendidos, os loucos, têm uma memória atávica das coisas. Por isso julgam alguns que o seu mundo não é propriamente este. Ah, nem queiras saber... Eles estão neste mundo há muito mais tempo do que nós.

#12:47 - - ->

sábado



Hoje me acordei pensando em uma pedra numa rua de Calcutá. Numa determinada pedra numa rua de Calcutá. Solta. Sozinha. Quem repara nela? Só eu, que nunca fui lá. Só eu, deste lado do mundo, te mando agora esse pensamento... Minha pedra de Calcutá!


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#03:01 - - ->

sexta-feira
Poesia

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Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade
E é como se agora este pobre, este único, este efêmero instante do mundo
Estivesse pintado numa tela,
Sempre...
#11:36 - - ->

quinta-feira
Ah! Esses Olhares...





Ah, esses olhares passeando, incômodas moscas,
Sobre a calma forçada da face dos mortos.
Poupai-me, amigos, tal humilhação
Ou, senão,
Pintai sobre a minha face morta,
De orelha a orelha
Em vermelhão
Um silencioso, um debochativo sorriso de clown...
Aí podereis vir todos encarar-me então,
Curiosos, repugnantes vivos!

#17:23 - - ->

quarta-feira
o vento e eu

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o vento morria de tédio
porque apenas gostava de cantar
mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
cada vez mais vazia...
tentei então compor-lhe uma canção
tão comprida como a minha vida
e com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
e fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
mas o vento, por isso
me julga agora como ele...
e me dedica um amor solidário, profundo!
#11:08 - - ->

segunda-feira
Ah! O Relógios


Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...




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#20:49 - - ->

sábado
Carta desesperada

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Como é difícil, como é difícil, Beatriz, escrever uma carta...
Antes escrever os Lusíadas!
Com uma carta pode acontecer
Que qualquer mentira venha a ser verdade...
Olha! O melhor é te descrever, simplesmente,
A paisagem,
Descrever sem nenhuma imagem, nenhuma...
Cada coisa é ela própria a sua maravilhosa imagem!
Agora mesmo parou de chover.
Não passa ninguém. Apenas
Um gato
Atravessa a rua
Como nos tempos quase imemoriais
Do cinema silencioso...
Sabes, Beatriz? Eu vou morrer!
#06:02 - - ->

domingo
A Carta




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Hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta amarelecida,
Rasguei-a sem procurar ao menos saber de quem seria...
Eu tenho um medo
Horrível
A essas marés montantes do passado,
Com suas quilhas afundadas, com
Meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas...
Ai de mim,
Ai de ti, ó velho mar profundo,
Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!

#04:39 - - ->

quarta-feira
Coisas Incríveis no Céu e na Terra

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De uma feita, estava eu sentado sozinho num banco da Praça da Alfândega quando começaram a acontecer coisas incríveis no céu, lá pelas bandas da Casa de Correção: havia tons de chá, que se foram avinhando e se transformaram nuns roxos de insuportável beleza. Insuportável, porque o sentimento de beleza tem de ser compartilhado. Quando me levantei, depois de findo o espetáculo, havia umas moças conhecidas, paradas à esquina da Rua da Ladeira.
— Que crepúsculo fez hoje! — disse-lhes eu, ansioso de comunicação.
— Não, não reparamos em nada — respondeu uma delas. –– Nós estávamos aqui esperando o Cezimbra.
E depois ainda dizem que as mulheres não têm senso de abstração...
#16:41 - - ->

Astrologia





Minha estrela não é a de Belém:
A que, parada, aguarda o peregrino.
Sem importar-se com qualquer destino
A minha estrela vai seguindo além...

— Meu Deus, o que é que esse menino tem? —
Já suspeitavam desde eu pequenino.
O que eu tenho? É uma estrela em desatino...
E nos desentendemos muito bem!

E quando tudo parecia a esmo
E nesses descaminhos me perdia
Encontrei muitas vezes a mim mesmo...

Eu temo é uma traição do instinto
Que me liberte, por acaso, um dia
Deste velho e encantado Labirinto


#16:38 - - ->

Essa Lembrança Que Nos Vem



Essa lembrança que nos vem às vezes...
folha súbita
que tomba
abrindo na memória a flor silenciosa
de mil e uma pétalas concêntricas...
Essa lembrança...mas de onde? de quem?
Essa lembrança talvez nem seja nossa,
mas de alguém que, pensando em nós, só possa
mandar um eco do seu pensamento
nessa mensagem pelos céus perdida...
Ai! Tão perdida
que nem se possa saber mais de quem!
#16:35 - - ->


O Silêncio



O mundo, às vezes, fica-me tão insignificativo
Como um filme que houvesse perdido de repente o som.
Vejo homens, mulheres: peixes abrindo e fechando a boca num aquário.
Ou multidões: macacos pula-pulando nas arquibancadas dos estádios...
Mas o mais triste é essa tristeza toda colorida dos carnavais
Como a maquilagem das velhas prostitutas fazendo trottoir.
Às vezes eu penso que já fui um dia um rei, imóvel no seu palanque,
Obrigado a ficar olhando
Intermináveis desfiles, torneios, procissões, tudo isso...
Oh! Decididamente o meu reino não é deste mundo!
Nem do outro...

#16:21 - - ->

sexta-feira
Auto-Leitura


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A minha obsessão por sapatos e vacas
Diverte os amigos
Os inimigos
Os psicólogos
Creio que diverte também até as próprias vacas
— menos a Poesia!


#13:01 - - ->




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